domingo, 2 de agosto de 2009

Consequências

Normalmente não tenho receio de dizer o que penso. Contudo, num país como o nosso, em que o cinismo, mais do que um modo de estar, é um recurso de sobrevivência, dou por mim a pensar nas consequências que advirão daquilo que disse...Penso muito antes de dizer algo, mas muitas vezes consigo, a maior parte delas sem o desejar verdadeiramente, ser polémico. Até hoje, as consequências não foram além de umas respostas um pouco menos corteses em blogs ou um: "tens de ser assim tão directo?". Já fui, todavia, avisado de que me deveria moderar, moldar-me ao conformismo português, à nossa forma de estar em que nem a comunicação social é ,verdadeiramente, capaz de ser acutilante e assertiva. Num país onde consideramos uma frase dita de forma mais directa e honesta como uma manifestação de uma grosseira falta de educação, moderar-me seria, dizem-me, a única forma de singrar profissional e socialmente.
Adoramos cravar umas facas nas costas, dizer mal à porta fechada, gostamos de dizer que queremos pessoas honestas e que o que mais valorizamos em alguém é a sinceridade. No fundo, estamos apenas a dizer que desejamos, ardentemente, saber o que o outro pensa. Para o português (talvez para o ser humano em geral...) é, relativamente, insuportável não sabermos o que pensam de nós. "Não me interessa minimamente aquilo que pensam sobre mim" é, todavia, o que gostamos de, mentirosamente, alardear.
Por mim, critico frontalmente a maior parte das vezes. Quanto às consequências, como qualquer ser humano sem a faceta de mártir, quando se tornarem desmesuradamente impeditivas, calar-me-ei.

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